quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Novo Sandero 2012: avaliação completa


A Renault acertou em cheio com o Sandero. O primeiro carro mundial da marca produzido fora da Europa chegou ao Brasil em novembro de 2007 e conquistou um lugar entre os hatchs de entrada. Só que, quase quatro anos depois, a imagem de “carro moderninho” foi sumindo aos poucos, e a Renault teve que garantir um providencial facelift no hatch. De quebra, a nova cara do Sandero também serve como um ingrediente extra contra a concorrência. É que o modelo trava uma acirrada disputa com o Chevrolet Agile pela segunda colocação do segmento de hatches compactos com teto elevado – amplamente dominado pelo Volkswagen Fox. No último ano, o Sandero obteve uma vantagem de exatos 1,1 mil carros sobre o Agile – 68.832 unidades contra 67.732. Em 2011, as posições se inverteram. Nos quatro primeiros meses o Agile vendeu 24.645 unidades contra 20.936 do Sandero.
   As mudanças na aparência do Sandero, apesar de discretas, emprestam um ar quase europeu ao modelo. A dianteira perdeu a grade bipartida e passou a seguir a atual identidade visual da marca. O para-choque redesenhado traz nova entrada de ar horizontalizada, além de caixas dos faróis de neblina maiores e com molduras cromadas – exclusivas para a versão Privilège –, que emprestam certo requinte ao hatch.
  
Fora estas mudanças na dianteira, o Sandero é praticamente o mesmo carro de 2007. A lateral segue tendo como destaque o vinco em formato de arco. Na traseira, a novidade se restringe às lanternas com nova distribuição das luzes internas e à mudança do logotipo Sandero, que cresceu e migrou da lateral direita do porta-malas para o centro, logo abaixo do símbolo da Renault, no mesmo estilo do Fluence.
No interior, a linha 2012 do Sandero também traz novidades para superar alguns erros do passado. Os botões de acionamento dos vidros elétricos – muito criticados no modelo antigo pela sua posição pouco usual no painel – agora estão instalados nas laterais das portas. O rádio ficou mais moderno e passa a contar com conexão para USB e iPod. Outras mudanças do Sandero são painel com novos materiais e cores, os tecidos dos bancos e os grafismos do painel de instrumentos.
O Sandero 2012 segue sendo oferecido nas mesmas versões Authentique, Expression, Privilège e Stepway. Sob o capô também não há novidades. O hatch continua com três opções de motor. O propulsor 1.0 16V Hi-Flex rende 77 cv com etanol e está disponível nas versões Authentique e Expression. O motor intermediário é o 1.6 8V com 95 cv presente nas versões Expression e Privilège. Já o mais moderno 1.6 16V Hi-Flex, com duplo comando de válvulas no cabeçote e 112 cv, equipa apenas a versão Stepway, a topo de linha.
 
O resultado do facelift é acompanhado com grande expectativa pela Renault. Só para se ter uma ideia, o hatch representou 43% das vendas da marca ano passado. Esse ano, a expectativa é aumentar em 20% as vendas do modelo. Para alcançar essa previsão, não há segredo. A Renault seguirá apostando no custo/benefício agressivo.
A versão de entrada Authentique com motor 1.0 partirá de R$ 28.700, R$ 1 mil a menos que a versão do modelo antigo. A Expression 1.0 parte de R$ 31,3 mil, a Expression 1.6 sai por R$ 33,6 mil, a Privilège custa R$ 40,4 mil, e a topo Stepway, como uma cereja no bolo da Renault, parte de R$ 42,6 mil. Isso a coloca quase R$ 3 mil mais barata que a antiga versão. É uma tática que mira em um ponto sensível do consumidor brasileiro: o bolso.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.6 litro de 95 cv é um dos pontos altos do Sandero. A unidade de força garante arrancadas competentes e o motorista sente segurança na hora das ultrapassagens. Quem também merece elogios é o câmbio bem escalonado. Nota 8.
Estabilidade – O Sandero é um carro equilibrado. Anda sempre “colado ao chão” e encara sem problemas curvas fechadas em alta velocidade. Nas retas e frenagens, o modelo também se mostra firme, com bom equilíbrio. A direção é precisa e rápida. Nota 7.
Interatividade – A renovação do Sandero garantiu melhorias providenciais neste quesito. Os botões de vidros e trava elétricos, antes colocados na coluna central em posição não muito intuitiva, agora estão posicionados nas laterais das portas – um lugar muito mais usual. A coluna de direção também ganhou uma regulagem de altura. A caixa de câmbio com engates suaves e precisos é um ponto positivo. Nota 7.
Consumo – Equipado com o motor 1.6 8V, o Sandero tem média anunciada de 8 km/l na cidade e 11,9 km/l na estrada com etanol. Nota 7.
Conforto – O Sandero é um projeto da romena Dacia – subsidiária da Renault naquele país – montado sobre a plataforma do Logan. Sua estrutura em monobloco, datada de 2005, é uma das mais modernas entre os compactos nacionais. Nesta reedição, o novo Sandero passa a ser equipado com um rádio mais moderno, dotado de entrada USB/iPod e conexão Bluetooth. O modelo oferece airbag duplo e freios com ABS como opcional na maioria das versões. Nota 7.
Tecnologia – No interior do Sandero. espaço não falta. Até mesmo no banco traseiro é possível que três adultos contem com boa folga para pernas e cabeças. A posição “altinha” de dirigir também merece elogios. Nesta reformulação, o isolamento acústico – quase inexistente na versão anterior – foi melhorado, mas ainda não está 100% eficiente. Na hora de encarar a buraqueira dos grandes centros urbanos, a suspensão filtra relativamente bem as imperfeições, mas o sacolejo é inevitável. Nota 7.
Habitabilidade – O acesso aos bancos dianteiros do Sandero é digno e só mesmo quem vai no banco de trás pode encontrar alguma dificuldade. Por dentro, há práticos porta-objetos. O porta-malas de 320 litros está na faixa do segmento. Nota 7.
Acabamento – O Sandero 2012 ganhou novos detalhes cromados e tecidos para transmitir algum requinte. O painel também mudou e agora é construído com um material de melhor qualidade. Mesmo assim, o modelo segue abusando de plásticos rígidos e conta com acabamento simples. Fora isso, há pouquíssimas rebarbas aparentes e, de uma forma geral, as peças se encaixam com harmonia. Nota 7.
Design – O facelift do Sandero é essencial para manter seu visual “moderninho” e para que suas vendas não “esfriem”. Mesmo assim, por se tratar de uma reestilização de meia-vida, o modelo não se inova a ponto de ser reconhecido como um carro realmente novo e virar atração nas ruas. Nota 7.
Custo/Benefício – A nova proposta da Renault é ter carros baratos. O Sandero não foge à regra e está com preço ainda mais em conta nesta nova versão em comparação com a antiga. Em qualquer configuração o hatch oferece uma lista de itens de conforto similar aos concorrentes com preços mais “camaradas”. Nota 7.
Total – O Renault Sandero 2012 somou 71 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir - Cara a cara

Florianópolis/Santa Catarina – A Renault não teve muita escolha em relação à plástica do Sandero. Nos últimos tempos, o segmento de hatches compactos viu uma inundação de novidades. Lá estão o Fox renovado e novatos como Agile e mesmo o chinês JAC J3. Neste panorama, mudar a cara de seu principal modelo no Brasil era questão de manter as boas vendas ou perder espaço para a concorrência.
Logo de cara, o Renault Sandero transmite um certo ar de curiosidade. Ao mesmo tempo que as mudanças são pequenas, a ausência da grade bipartida na dianteira dá outro aspecto ao modelo. Nada que deixe o hatch mais feio ou mais bonito. Ele está apenas diferente. Mas, considerando que no mercado brasileiro pequenas modificações soam como grandes novidades, esta estratégia deve funcionar. Se a dianteira remete a um carro diferente, a lateral e a traseira sem grandes novidades comprovam que trata-se realmente do Sandero.
No interior as mudanças foram pontuais e vão dar fim a algumas queixas recorrentes do modelo. O acabamento, sempre muito criticado, está melhor neste novo Sandero. Mesmo assim, o motorista ainda tem que se contentar com materiais simples e abundância de plástico duro – afinal este é um carro de entrada. O comando de acionamento dos vidros elétricos saiu da ingrata posição na coluna central e agora fica na porta do motorista. Fora isso, o modelo promete facilitar a vida do motorista com abertura interna do compartimento de gasolina.
Para tirar a versão Privilège da inércia não há qualquer novidade. Sob o capô está o bom e velho motor 1.6 8V. Mesmo sem qualquer mudança, o propulsor de 95 cv continua sendo um dos pontos altos do modelo. As acelerações são eficientes e a transmissão bem escalonada é outro ponto positivo.

Fonte: noticiasautomotivas.com.br

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